Depois de
verificar que a grande maioria de informações que saem na
mídia, principalmente na internet, sobre a placa preta e
outras conquistas do antigomobilismo, são veiculadas com dados
distorcidos ou incompletos, e sabendo da verdade, consegui a
disponibilização deste espaço, neste sítio, para divulgar dois
textos (do Nasser) que esclarecem muita coisa...
CONQUISTAS PARA O ANTIGOMOBILISMO - 1
NASSER
PLACA PRETA
Conto com imodéstia porquanto
sou o autor do requerimento, acompanhamento e defesa por
memorial e sustentação oral no Contran - a fbva não estava
nisto.
Quando, em 1985, propus aos ministros da justiça e dos
transportes a criação de uma legislação própria para veículos
antigos, a fbva nem existia.
Ao cumprir todo o rito
administrativo; conseguir apoio do ministro jarbas passarinho,
e o aprovo pelo presidente Itamar Franco um decreto criando a
categoria de veículo histórico, foi regulamentado por uma
resolução do contran, isto foi em 1993, a fbva não se fez
presente.
Àquela época a caracterização como antigo era de 20 anos.
Quando o assunto foi à discussão pública, redigi um memorial e
entreguei em audiência formal à comissão encarregada de
analisar - a fbva não apareceu;
Houve a convocação de audiência pública para análise das
propostas. inscrevi-me e fui o primeiro a falar, conseguindo a
aprovação dos presentes - a fbva não estava lá;
Quando houve a publicação da resolução mantendo o conceito,
erraram e não compatibilizaram a resolução feita à luz do
código antigo - que traçava 20 anos para o antigo, com os 30
anos do novo CTB. A fbva apareceu, convidou o presidente do
contran a umas mordomias no rio de janeiro. À volta ele criou
uma resolução dando exclusividade à fbva. Juntei a minha
indignação e fui explicar a autoridades superiores que isto
significava a criação de um verdadeiro cartório para
beneficiar uma entidade de poucas ações práticas. Para emitir
o certificado, o clube haveria que pagar à fbva, e com isto,
repassar custos aos antigomobilistas.
A autoridade com quem falei prometeu tomar providências.
Allah me ajudou e o presidente do contran foi defenestrado.
Fui ao novo presidente, expliquei o mal-feito que haviam
praticado, e ele revogou a exclusividade.
Assim, na prática, qualquer clube ou instituição que atenda às
exigências do Denatran pode se credenciar diretamente, sem
necessidade de filiação à fbva.
Assim também, qualquer pessoa que possua o veículo antigo
original e com mais de 30 anos pode solicitar a vistoria a
qualquer entidade credenciada legalmente;
Não há propriedade de território para isto, como alguns
presidentes de clubes tentam fazer valer.
A legislação é de âmbito federal e assim é válida em todo
território nacional. Um certificado emitido em Porto Alegre é
válido em Fernando Noronha e vice-versa;
A legislação não estabelece pontos por itens e coisas
parecidas.
O governo traça do geral e não
do específico. A ele vale o que a entidade credenciada
informou - não se pense que o clube anexa ao certificado o
mapa de pontuação, isto é um assunto administrativo interno.
Entendo que o roteiro da fbva seja um bom princípio e uma
tentativa de caminho, mas se um clube atesta que o veículo
atende às exigências legais, está atestado e ao detran
estadual cabe acatar.
O que ocorre, lamentavelmente, é que os detrans não são
esclarecidos a respeito e na maioria das vezes desconhece o
assunto. Assim, criam dificuldades, mas nada que a exibição do
código de trânsito e resolução pertinente não resolvam.
A fundação memória dos transportes, tem o credenciamento
número 1 para certificar originalidade - e nunca viu
necessidade de ser filiada à fbva para ter seus documentos
acatados.
houveram discussões para a votação do novo Código, e eu
sustentei com o coordenador a manutenção.
Nasser
09/02/2006 (informação
coletada no site
www.simca.com.br)
CONQUISTAS PARA O ANTIGOMOBILISMO - 2
NASSER
Advogado por formação e atividade, confio
no papel e nas publicações oficiais. por isto é dificil
negar-me autoria:
-
da placa
preta;
-
da
permissão para a importação de veículos, uma exceção legal,
conseguida, acredite, num reunião da câmara setorial da
indústria automobilística, no ministério da indústria
e comércio;
-
da
primeira viagem internacional de colecionadores de veículos;
-
o
primeiro raid de longa distância, quebrando um tabu que
veículos antigos não seriam resistentes;
-
do
primeiro patrocínio da indústria automobilística;
-
da
caracterização em âmbito verdadeiramente nacional a um
encontro de veículos antigos;
-
da
superação de 100 participantes a um evento automobilístico
fora de um grande centro;
-
da
proposta de formação da própria fbva;
-
da
mudança da óptica oficial sobre os antigos, deixando de ser
bem de transporte superado em sua utilidade e passando a ser
um bem cultural;
-
da
isenção do uso dos equipamentos de segurança que se tornaram
obrigatórios após a produção dos veículos;
-
da
exclusão dos portadores de placa preta das inspeções de
segurança veicular;
-
da
atração das multi-nacionais ao patrocínio dos eventos
automobilísticos;
-
da
primeira coluna jornalística habitual cobrindo o tema;
-
da
criação da categoria Veículo Nacional nas premiações -
antes, no máximo eram admitidos, premiados, nunca ! ;
-
da
criação dos Clássicos Nacionais;
-
da
oficialização que veículos antigos são considerados formal e
contabilmente como obras de arte;
-
do
registro no dicionário Houaiss da expressão Antigomobilismo,
institucionalizando o hobby;
-
da
criação dos Prêmios Roberto Lee ( melhor do evento );
colecionador do futuro, outorgado por futuros
antigomobilistas; Originalidade, ao melhor
não-restaurado;
-
da
inclusão de palestras nos eventos antigomobilísticos;
-
da
criação do Carro do Brasil, único nacional e único temático,
com palestras informativas sobre marca ou tema;
-
da
proposta de isenção de impostos alfandegários para veículos
antigos comprados no âmbito do Mercosul;
-
da
criação do Museu do Automóvel, em Brasília, único a integrar
o Sistema Nacional de Museus.
Há mais. Na verdade, como você vê e como está tudo documentado
- e todos estes passos foram dados informando aos clubes
- entendo que o importante é estruturar hobby, sem
as pretensões honoríficas que parecem constituir-se no
objetivo de algumas pessoas. Estas entendem que o
antigomobilista deve ser onerado como filiação a clubes,
ser submetido a custos, cabendo-lhes apenas reverenciar
estas autoridades. Penso diferente.
Talvez por convívio com clientes estrangeiros me apercebi que
esta mania de falar do rabo alheio faz-nos andar em
círculos, sem olhar o horizonte, ou para cima. E talvez
por me dedicar a conseguir resultados, tenho cometido
pequenas conquistas que, a cada dia que passa, vejo que podem
não ser do agrado do pessoal encastelado na FBVA, mas
traz facilidades a esta diversão e reconhecimento ao
antigomobilista. É pouco, mas na minha falta de outros
objetivos, me satisfaz.
( conto uma história que me emociona: há, num ferro velho aqui
em brasília, um recorte de jornal emoldurado. é um
retrato meu, falando da inauguração do museu. tomei um
susto quando vi. perguntei ao dono do negócio o porquê.
Ele me respondeu com cândida objetividade comercial: se não
fosse você, ninguém procuraria peças de nacionais
antigos. entendi que havia trilhado o caminho certo. )
Especificamente sobre a importação dos antigos, ocorreu a soma
de credibilidade com oportunidade. Como advogado de algumas
montadoras e à época da Abeiva, a associação de importadores,
tinha assento na Câmara Setorial da Indústria Automobilística,
Ministério da Indústria e Comércio.
Numa das arrancadas para deter a queda de demanda e produção
da indústria, houve um entendimento de toda a cadeia
produtiva desta indústria, para abrir mão de pequenas
parcelas, somar sinergias, analisar sugestões com o fito
de reduzir custos - isto aliás foi conseguido e exitosamente
deteve a queda e iniciou o crescimento.
Numa das reuniões, presidindo a ministra Dorothéa Werneck, ela
leu uma conclusão de medidas a ser adotadas. Uma delas era
vedar, bombardear, acabar com o Projeto de Lei 2492/92,
que pretendia autorizar a importação de veículos usados -
usados, repito.
A ministra ia concordando com as medidas que lhe propunham
capitanear.
Quando chegou a esta, virou para a mesa e disse que
ultrapassava a sua competência pessoal, mas buscava apoio para
pedir auxílio externo. A Mesa concordou. Ela,
surpreendentemente, virou-se para mim, e falou: -
Nasser, você que conhece os segredos do Congresso está
autorizado a uma providência neste sentido.
Disse-lhe então, que faria, mas gostaria de combinar
publicamente os honorários.
A Mesa se assustou. Só haviam empresários de peso, presidentes
de montadoras, de entidades e fábricas de auto-peças,
sindicatos de trabalhadores, transportadores. Todos dedicados,
oferecendo o melhor de seus esforços, tempo e
capacidades. Todos doavam de si. Não cabia, definitivamente,
falar-se em honorários.
Feminina e mineiramente, ela perguntou: E como serão estes
honorários ?
Disse-lhe: troco o fim do projeto de importação de veículos
usados por uma autorização da ministra para importar
veículos antigos para coleção !
Ela riu estrepitosamente, a Mesa sorriu, e ela decretou:
Fechado.
Sérgio Nunes - até hoje o assessor para comércio internacional
- cole neste irresponsável cultural e tão logo o projeto dos
usados seja arquivado traga um texto sobre a importação
dos antigos."
Demorou um pouco para que o rito do parlamento mandasse a
proposta ao arquivo. A Ministra deixou o cargo, mas o Sérgio
manteve a ordem, desenvolvemos a redação em conjunto, tive que
ceder para 30 anos porquanto se imaginava que haveria
uma avulsão de importações, e a Portaria 370 foi editada
e mantém-se válida. É a única exceção setorial.
Sem sensibilidade, tempos depois num mês em que a balança
comercial chegava a ponto de postergar a compra de
combustível, uma delegação da FBVA e do VCC/DF,
acompanhados de um parlamentar, foi ao então ministro
Dornelles para pedir isenção de impostos de importação.
Não sabiam da situação da balança, nem que o ministro
havia sido procurador chefe da Fazenda Nacional. E que
uma das regras internacionais, especialmente para países
membros de associações internacionais, é vedar a importação de
bens usados.
O ministro estranhou existir uma portaria autorizatória, foi a
ela apresentado e prometeu estudar. Chamou o secretário da
área industrial e pediu um estudo e um ato para excluir
a possibilidade da Portaria 370 - que também regula
outros itens.
Desencompatibilizou-se alguns meses depois e, como o parecer
que derrogaria o ato não havia ficado pronto ...
ficou como está.
A história é esta. Os documentos oficiais a atestam.
Nasser (18/05/2006)

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e veja a entrevista/homenagem ao
antigomobilista Roberto Nasser (junho/2006). Confira também
suas "lutas" atuais (proibição de exportação de veículos de
coleção; redução de alíquota de importação dos antigos).
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